Então lembrei da brincadeira "mamãe posso ir", que fez parte da minha infância e de como era bom brincar com minhas amigas.
Eu, por incrível que pareça gostava de dar passos de tartaruga para demorar bastante, pois quem chegava primeiro saía da brincadeira mais rápido.
Até hoje acho que sou assim, prefiro dar passos de tartaruga e ficar mais tempo na brincadeira da vida.
Gosto de aproveitar tudo ao máximo, ir devagarinho como quem não quer nada e desfrutando lentamente das gostosuras e alegrias da minha existência.
Correr contra o tempo me impede de aproveitar, de ver o mundo, de perceber os detalhes da arquitetura da cidade, a fisionomia das pessoas e suas expressões, o canto dos pássaros, o meu filho crescendo. É tudo tão lindo, tão intenso, tão único.
Prefiro viver pouco de verdade do que muito pela metade.
As tartarugas vivem muitos anos, são animais sábios, tem uma memória invejável, e caminham lentamente pela vida, param no caminho para tomar sol, deslizam pelas pedras, caem na água e saem nadando, como se tudo a sua volta fosse seguindo o seu ritmo.
Sou tartaruga, caminhando pelos meus pensamentos, me descobrindo, me encontrando, curtindo a vida lentamente, bebendo e degustando cada gota desse néctar dos deuses.
Fuuuuuuuui.
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