Fazem alguns anos que visito Santo Antônio da Patrulha para ir até o Caraá na Festa de Nossa Senhora das Lágrimas.
Ao passar pela cidade "minha segunda terra natal"sinto um saudosismo que me invade aos poucos e então, começo a repetir histórias, fatos engraçados, mostro lugares por onde costumava passear com a minha prima Andréia e lembro dos meus tios muiiiito queridos que já estão em outro plano.
Infelizmente minhas visitas tem se restringido só a cidade, pois sempre vamos com um objetivo específico e fico sem graça de visitar os meus primos sem avisar.
Talvez devesse aparecer, mesmo que sem avisar, pois ter notícias deles só pelo orkut é muito pouco para laços tão fortes de afeto, amizade e parceiria.
Gostaria que o Pedro passeasse pelas ruas de Santo Antônio como eu quando pequena, que fugisse de boi bravo no campo, comesse milho verde colhido na horta e cozido no fogão a lenha, chupasse cana e comesse puxa puxa feito na hora...
Lembro do cheirinho do pão de casa que o Tio Miguel fazia com tanto carinho e sempre contando um causo, pra fazer a gente rir.
Tenho muito vivas as lembranças do Boteco do Tio Antônio que me deixava esvaziar os potes de doces e tomar todos os Minuanos Limão, as Sukitas, as Mirindas, os Charruas que eu conseguisse.
Lembro do Tio Noé, que partiu tão cedo e deixou uma lacuna irreparável no meu coração.
O gostinho da carne frita na panela, com queijo da colônia e pão de casa, na casa da minha Vó Maria, feitos com tanto carinho no café da manhã.
Que delícia os bolinhos de polvilho da Tia Onela e os jogos de carta em família regados a muita risada e eu fiasquenta quase sempre fazendo xixi nas calças de tanto rir.
Tenho também algumas lembranças do Tio Florêncio e da Tia Guiomar que certa vez me presenteou com uma xícarazinha linda de um conjunto de cafézinho que ela tanto gostava.
Em Santo Antônio, muitos dos amigos dos meus primos se tornaram meus amigos também, as Andréias, o Chicão, mais tarde o Sandrinho e a irmã dele que não lembro mais o nome, o Vá que considero um primo até hoje, e tantas outras pessoas que faziam cada fim de semana, e cada período de férias tão aguardado e tão surreal.
Certa vez o Tio Antônio ía me buscar de fusca"ah o fusca do Tio Antônio"para me levar até a rodoviária, e a Andréia e eu nos escondemos na plantação de milho e deixamos o Tio lá na frente da casa um tempão me chamando, por que eu não queria ir embora.Nem preciso dizer que ele ficou furiozo comigo.
Muitos anos o Tio Miguel e a Tia Onela cuidaram da Igreja no Jau e eu adorava ir brincar lá dentro com a minha prima, embaixo da mesa no altar, pois no verão era tri fresquinho e nos dias de chuva o espaço era ótimo. Lá brincávamos de casinha, de desenhar vestidos e sapatos, jogávamos carta, fazíamos piquenique, tudo com o maior respeito é claro.
São tantas lembranças que seria preciso lançar uma coleção de livros tipo Sítio do Pica Pau Amarelo, mas vamos por partes. Qualquer dia desses quando a saudade bater denovo, escrevo mais um pouco, e quem sabe juntando lembranças daqui e dali minhas histórias se tornem um livro né?
Quero que o Pedro construa suas próprias lembranças lá de Santo Antônio, saiba o nome dos lugares, conheça a benzedeira perto da padaria, visite o Pé de Galinha para ver a casa que era da minha Vó, vá no Bar Porão quando adolescente, se ainda existir né?!
Principalmente, quero levá-lo na Fonte, pois quem bebe daquela água sempre volta á cidade.
Eu era muito feliz e sabia, por isso aproveitei ao máximo!!!
Carine Dias Soares